sábado, 16 de julho de 2011

Olá pessoal.Como vcs devem ter percebido,eu to muito sumida mesmo...Ando muito ocupada,e até meio desmotivada para escrever.Quero muito continuar a escrever a história,mas está difícil mesmo.E vcs já devem estar cansados de esperar.Por isso quero que vcs decidam pela continuidade da história.Deixem seu comentário expressando sua opinião,e dependendo do que vcs decidirem,se estão dispostos a esperar mais um pouquinho, eu farei um esforço e continuarei essa história.Caso contrário,tranco o blog.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Continuação

Oi gente...Depois de taaanto tempo sem aparecer por aqui,finalmente apareci pra dizer que Aline está voltando.Esse semestre foi muito corrido e intenso pra mim,por isso não tinha tempo e nem ânimo pra continuar escrevendo a história.Mas nessa semana enfim entro de férias,e durante os meses de junho e julho estarei por aqui e no blog Os muros do coração. Então, nos encontramos nesse fim de semana,ok?Sem falta!!!
Beijos a todos!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

3-Entre despedidas e velhas lembranças

Era sábado. Richard acordou com um barulho ensurdecedor dentro do quarto, e quando abriu os olhos viu que se tratava de Juan arrastando uns móveis pra fora do quarto. O rapaz levantou-se tentando abrir os olhos de uma vez, sem sucesso. Ainda estava com muito sono, pois na noite passada havia ficado até tarde embalando suas coisas.
-Desculpa cara, te acordei,né?-Juan se desculpou, enquanto descansava um pouco repousando uma cômoda no chão.
-Tudo bem, já estava na hora mesmo-Rick disse esfregando os olhos-Precisa de uma mãozinha aí?
-Ah eu aceito. Isso aqui tá muito pesado.
-Você deveria ter tirado as coisas de dentro antes.
-É-disse Juan, como se só aquela hora fosse pensar nisso-Mas agora já era.Vai levar muito tempo pra fazer isso.
-Então espera um pouco que vou tomar um banho e já volto. É rápido.
O rapaz tomou rapidamente uma ducha fria, o suficiente para despertar. Estava com fome também, mas o café da manhã poderia esperar.
Rick ajudou o amigo a colocar a cômoda até o carro e mais outros objetos. Não sabia por que Juan precisava de tanta coisa, ele e Rodrigo pelo menos não precisavam. E por falar em Rodrigo, ele percebeu que o rapaz não estava por lá, e seus pertences aparentemente também não.
-Cadê o Rodrigo?Já se foi?
-É, ele se foi logo cedo com a Vivian, eram umas 7:00 horas.
-Nem se despediu de mim, o ingrato.
-Ele até quis, mas você estava num sono tão profundo que ele não quis te acordar.
-Sei... Mas tudo bem, afinal, nós continuaremos nos vendo.
Depois de ajudar Juan a levar todas suas coisas para o carro, este o ajudou a levar as suas. Aline chegou logo após com seus pertences, que não eram muitos, e logo a tarefa estava terminada.
-Bom, obrigada Juan pelo auxílio-Rick agradeceu ao amigo com um sorriso sincero- Acho que já podemos ir-ele disse dando uma olhadela para Aline.
-É, eu também preciso ir-Juan respondeu, com uma expressão pensativa.
-Foi um prazer dividir esse quarto com você durante esses anos em que passamos juntos-Rick disse-Bem, mas acho que não precisamos ficar tristes com a despedida, não é mesmo? Continuaremos nos vendo de vez em quando, mesmo morando longe um do outro.
Juan assumiu uma expressão um tanto triste de repente. Deu um sorriso pouco expressivo.
-Bem, acho que será difícil nos encontrarmos de agora em diante. Eu estou de viagem marcada para a Espanha, vou morar com o meu pai.
Rick e Aline se entreolharam, surpresos.
-Poxa, é mesmo?-disse Aline- Bem, será uma pena você ir para tão longe, vamos sentir saudades-ela se aproximou dele para dar-lhe um abraço-Mas te desejo muito sucesso, Juan.
-Obrigada-ele respondeu, correspondendo o abraço.
-Vou sentir sua falta,amigão-Rick também lhe deu um abraço.
-Eu igualmente.
Juan tinha umas tímidas lágrimas nos olhos. Rick nunca tinha visto o rapaz assim. Logo ele,que sempre fora tão forte, tão altivo. O rapaz sentiu uma ponta de tristeza também.
-Eu vou, mas manterei contato. Aqui no Brasil está a minha vida, meus amigos. Não poderei ignorar isso.
Rick e Aline se entreolharam, sorrindo.
-E não poderei me esquecer especialmente de vocês. Me aturaram com paciência e ainda me fizeram sentir amado, apesar dos meus defeitos. Eu...amo vocês.

Pára tudo! Taí uma frase que nunca pensei ouvir da boca do Juan. Eu amo vocês? Nunca ouvi isso de amigo nenhum, muito menos de um homem, e apesar de achar meio estranho, isso vai permanecer na minha mente para sempre. E como uma lembrança boa.

-Nós também te amamos-Rick respondeu- Te desejamos muita felicidade e que a paz de Cristo te acompanhe sempre.
Juan envolveu os dois amigos num abraço em conjunto e se despediu. Rick e Aline observaram enquanto o rapaz entrava no carro e se afastava. O rapaz olhou para a namorada e percebeu que ela tinha lágrimas nos olhos, e embora tivesse também, não quis deixa-las cair. Apesar da situação comovente, queria manter sua postura forte e imponente.
-Poxa, nunca pensei que sentiria tanta tristeza quando fosse me despedir do Juan-Aline comentou enquanto entravam no carro.
-E eu também nunca imaginei que ele diria aquelas palavras e até choraria ao se despedir-Rick respondeu.
-É, foi certo da nossa parte ter tanta paciência com ele durante esses anos. Ganhamos uma amizade sincera da parte dele, e podemos ficar felizes por termos tido participação na mudança dele.
-É-o rapaz murmurou pensativo- Foi uma grande mudança.
-Se foi! Ele amadureceu muito durante esses anos.
Rick ficou lembrando mentalmente as situações em que Juan se envolvera durante o tempo em que passou na faculdade. Sorriu, já que não era preciso mais lamentar a falta de sensatez do amigo, já que ele agora tinha juízo.
-Aline, o que você acha de pararmos para comermos alguma coisa?-Rick perguntou, aproveitando quando chegaram ao centro de Guarulhos.
-Por mim tudo bem, embora eu não esteja com fome.
Os dois pararam no Mc Donalds. Aline pediu apenas um iorgute com frutas vermelhas, enquanto Rick pediu um cappuccino e um croissant.
-O que você vai fazer no Natal?-o rapaz perguntou enquanto mordiscava um pedaço do croissant.
-Provavelmente ficar com a minha família, como sempre faço nos fins de ano.
-O que você acha de dividir o tempo entre a minha casa e a sua? Acho que vamos fazer o amigo secreto com os jovens lá.
-Boa idéia. Passo um tempo com a minha família e depois vou pra sua casa.
-E para o réveillon, já tem planos?
-Ainda não.
-Bom, sendo assim, tenho uma surpresa reservada para o nosso réveillon. Bem, mas tudo vai depender do que você me responder.
-Como assim?
Rick pensou um pouco e falou:
-É uma surpresa, não posso contar detalhes agora. Por enquanto fique com sua imaginação.
-Ah não, você sabe como sou curiosa...Eu preciso responder o quê? Conta logo vai!
-Não posso, já falei demais, e se eu te contar, não vai ser surpresa!
-Poxa, não vou dormir essa noite de tanta curiosidade.
Rick sorriu.
-Contenha-se, logo logo você saberá do que se trata.
Aline parecia ansiosa. Mas Rick também mal poderia esperar para fazer a surpresa para sua amada, queria ver a sua reação. Estava preparando tudo tão minuciosamente. Nada poderia dar errado!
Quando os dois terminaram o lanche, saíram e chegaram até a casa da garota, o que não levou nem 10 minutos.
–Você não vai mesmo me contar a surpresa?-Aline perguntou, assim que o carro estacionou em frente à sua casa.
O rapaz lançou-lhe um olhar que disse tudo.
-Tá bem, vou esperar pela surpresa e não se fala mais nisso.
-Assim está bem melhor-ele respondeu.
-Vamos entrar um pouquinho?
-Não posso. Preciso ir logo pra minha casa arrumar as minhas coisas, pois nos próximos dias não terei tempo pra fazer isso.
-Eu entendo? Mas e aí, quando é sua entrevista com aquele diretor teatral?
-Segunda-feira.
-Você vai conseguir o emprego, tenho certeza disso.
-Espero em Deus que sim.
-Tchau-Aline disse dando-lhe um beijo-Nos vemos ainda hoje?
-À noite eu venho aqui.
-Então tá. Tchauzinho, se cuida.
-Tchau.
Rick observou a namorada entrar em casa e depois se foi. Quando chegou em sua casa, esta estava silenciosa, parecia que não havia ninguém. O garoto então subiu para o seu quarto levando seus objetos embalados.
Nossa! Que sensação boa sentiu ao entrar em seu velho quarto. Foram quatro anos dormindo praticamente todos os dias no quarto apertado da República, com outros dois colegas que, diga-se de passagem, roncavam muito durante a noite. Agora tinha um quarto novamente só pra si. O velho e bagunçado quarto de sempre era todo seu novamente. Observou a coleção de CDs, os livros de ficção de que tanto gostava e seus demais objetos espalhados desajeitadamente pela estante e sentiu-se feliz.
O rapaz começou a desembalar suas coisas e a guarda-las em seus devidos lugares. Logo ouviu um barulho vindo lá de baixo e percebeu que sua mãe havia chegado. Segundos depois ouviu uns passos em direção ao quarto, e logo Nancy apareceu na porta.
-Bom dia meu filho, faz tempo que chegou?
-Não,mãe, cheguei agora.E a senhora, aonde estava?
-Fui ao supermercado fazer compras.
-E cadê o Johnny?
-Foi resolver uns assuntos da empresa de seu pai.
-Aham.
-Estou feliz por tê-lo novamente de volta. E mais feliz ainda por vê-lo terminar mais uma etapa da sua vida. O meu garotinho agora já não é mais um garotinho, é um homem.
Rick sorriu.
-Um belo homem.
Nancy ignorou o comentário convencido do filho e continuou:
-Estou tão orgulhosa por vê-lo seguir sua vida com tanta responsabilidade, por tomar suas próprias decisões e agir como um verdadeiro adulto.
-Obrigada, mãe, esperei tanto por esse momento de crescer e ser independente. Já realizei meu sonho, certo mãe?
Nancy sorriu e balançou a cabeça negativamente.
-Errado, filho.Você ainda não é totalmente independente. Você ainda mora na minha casa, esqueceu?
Richard deu um sorriso amarelo.
-É, mas já tenho quase 22 anos, terminei a faculdade e pago minhas despesas.
-Mas você ainda me deve obediência, filho. Portanto, quero lhe pedir uma coisa.Ou melhor, pedir não,quero ordenar uma coisa-ela disse, mudando sua expressão de amorosa para brava-Que arrume esse quarto imediatamente, porque está uma bagunça! Quando é que você vai deixar de ser tão desorganizado assim e arrumar suas coisas hein, meu filho?
Rick fez uma careta.
-Vou descer e arrumar o almoço, mas quando subir quero ver toda essa bagunça arrumada, você está entendendo?
-Tá, tá bom-Rick respondeu meio desconcertado com a mudança de humor repentina de sua mãe.
Nancy fez uma pose de brava e saiu. Rick observou a cena sério e continuou a arrumar suas coisas. Segundos depois Nancy apareceu novamente à porta e chamou-lhe.
-Filho!
Rick olhou para a mãe.
-Eu te amo!-ela disse com um sorriso-E como sei que não terei mais muitas oportunidades de te tratar assim, porque logo logo você vai sair desta casa, quero aproveitar o máximo os últimos momentos.
Rick sorriu também e percebeu que estivera com saudades daquelas broncas, implicâncias e manifestações de carinho repentinas de sua mãe.

Taí mais um capítulo de "Aline", desculpem pela demora e espero que tenham gostado da narrativa-surpresa tendo o Rick como foco principal. Fiz isso com a sugestão dada pela Bia Suzena, e vou continuar intercalando as narrativas entre Rick e Aline até o fim dessa última parte da história. Obrigada a todos que continuam lendo pacientemente, e até mais! Se não postar na quarta, sábado posto o próximo capítulo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2-Não há bom sem defeitos

-Oh está perfeito!Perfeitíssimo!-a mulher exclamou ao ver a garota trajada com aquele lindo vestido longo prateado.
Aline caminhou até o espelho e conferiu que a mulher não estava exagerando em nada com aquele comentário.
-Oh ficou mesmo perfeito-ela concordou.
-Você vai arrasar na sua festa de formatura, querida.
-Tcham tcham tcham tcham!-Vivian brincou chegando trajada também com seu vestido longo de formatura-O que acharam?
-Perfeito!-a mulher começou agora a elogiar Vivian-Essa cor caiu muito bem em você,querida.Ficou um charme.
-Ficou mesmo lindo,Vivi-Aline concordou.
-Tem certeza?-a garota cochichou com Aline- Tudo pra essa mulher está perfeito.
Aline sorriu.
-Fica tranquila, está perfeito sim.
-Bem,acho que não há mais ajustes pra fazer. Se quiserem já podem levar o vestido hoje.
-Ótimo-disse Vivian-Agora é só esperar o grande dia.
As garotas trocaram de roupa, enquanto a mulher colocava os vestidos dentro da capa para serem levados. Já na rua, Vivian não parava de falar sobre o futuro. Contava sobre sua ansiedade em se formar logo, ser independente e morar sozinha.
-Não quero mais morar com meu pai-ela dizia- Vou arrumar uma casa pra mim e morar só.
-Você tem mesmo certeza disso?Isso exige muita responsabilidade, você sabe.
-Eu sei sim.Mas não quero ficar mais na casa do meu pai.Sinto muito em dizer isso, mas preciso me livrar da companhia dele. Desde que ele e a minha mãe se separaram tudo ficou tão diferente. Os dois não estão nem aí pra mim. Quero logo ser totalmente independente pra não precisar depender de nenhum deles.

Fiquei enternecida com as afirmações da Vivian. Ela costuma fingir não se importar com a indiferença dos pais, mas eu sei que ela se importa. Desde que eles se separaram eu notei alguns momentos de tristeza nela, embora ela tente disfarçar. Mas eu sei que ela sofre com isso.

-Olha, Vivi, eu não sei o que dizer sobre isso, pois trata-se de uma situação complicada.Mas se eu fosse você, pensaria duas vezes antes de tomar essa decisão.
-Pois eu já pensei duas, três, quatro...Várias vezes.E sempre chego à mesma conclusão. Está decidido, Aline. Assim que conseguir um emprego efetivo, vou morar sozinha.
-Você é quem sabe-Aline disse finalmente-Só espero que não se arrependa.
-Não vou me arrepender. Já tenho maturidade o suficiente pra isso, Aline, já sou adulta.
Aline não respondeu. Era evidente que Vivian estava decidida, e não poderia falar nada que a levasse a desistir da ideia. Aliás, quem sabe ela não se desse bem morando sozinha mesmo? Morar sozinha não era coisa do outro mundo, e Vivian já tinha idade suficiente para tomar essa decisão.
As duas garotas voltaram à república, e almoçaram. Era a última refeição que fariam naquele refeitório.
Depois do almoço, Vivian foi embalar suas coisas, e Aline decidiu embalar as suas também. Havia muitos livros e objetos pessoais para serem organizados, além das roupas e calçados. Vivian parecia ter tudo em dobro, principalmente no que dizia respeito a pertences pessoais. A quantidade de objetos era impressionante. Aline sorriu por dentro, imaginando que sua amiga era mesmo bem exagerada em tudo.
As horas foram se passando sem que as duas garotas percebessem; compenetradas, conversando enquanto realizavam a tarefa elas nem viram o horário.
O celular de Aline tocou, e a garota pegou para atende-lo .Era Rick.
-Olá amor. To ligando pra te convidar pra jantar. O que acha?
-Claro...-Aline respondeu distraída- E a que horas jantaremos?
-Daqui a meia-hora, no restaurante de sempre, pode ser?
-Meia-hora?-ela perguntou olhando para o relógio de pulso. Ele marcava 18:00 horas.
-Nossa, eu nem vi a hora passar- ela falou admirada- Mas podemos sim, jantar juntos.
-O que você estava fazendo?
-Embalando minhas coisas junto com a Vivian. E você onde está?
-Ér...Eu estou...Numa loja aqui da redondeza-Ele falou meio relutante. Aline não percebeu o desconcerto do rapaz.
-Bem, então nos vemos daqui a pouco-ela falou para finalizar a conversa-Vou me arrumar e depois nos encontramos.
-Ok. Beijo, tchau.
-Tchau- a garota se despediu, e olhando para Vivian- Vou tomar um banho, preciso encontrar o Rick daqui a pouco.
-Vão jantar? Divirtam-se.
-Obrigada.
Aline pegou a toalha e umas peças de roupas dentro da bolsa que já havia arrumado e foi tomar seu banho. Se arrumou rapidamente e saiu.
Rick já a estava esperando no restaurante, sentado a uma mesa perto da porta principal. A garota se dirigiu até lá e sentou ao lado do namorado.
-Que pontualidade, ainda nem são seis horas-ela elogiou- Faz tempo que está aqui?
-Cheguei faz uns dois minutos.
-Já fez o pedido?
-Não, esperei você chegar para fazermos juntos-disse ele, lhe entregando o cardápio. A garota abriu o cardápio e começou a analisar as opções.
No mesmo instante uma pessoa parou junto à mesa onde estavam. Aline levantou a vista. Era Leonardo.
-Oi- ele cumprimentou- Será que eu poderia conversar com você um instantinho, Aline? Em particular...
Aline olhou para Rick, e este tinha uma expressão insatisfeita no rosto.
-Precisa mesmo ser agora?-Aline indagou.
-Precisa- Léo respondeu-Rick, você se importa se a Aline se retirar por alguns instantes? É rápido, eu prometo.
-Ela é quem sabe-Rick respondeu asperamente.
-Tudo bem, eu vou-Aline interviu- Vai ser rápido, Rick. Eu já volto.
A garota acompanhou Léo até um canto do ambiente onde pudessem conversar sem serem ouvidos. Pararam e Leonardo iniciou:
-Preciso de sua ajuda. Sei que você é amiga da Dani, e gostaria de alguns esclarecimentos.
Aline franziu um pouco a sobrancelha. Estava curiosa pra saber aonde Léo queria chegar com aquela afirmação.
-Pode falar.
-É que, você sabe o que houve entre mim e a Dani, acho que não preciso explicar tudo desde o início.
Aline assentiu.
-De uns dias pra cá tenho pensado muito nela e... em seu filho. E fico muito atormentado com a ideia de que eu possa estar sendo injusto com eles. Não tenho certeza de que ele é realmente meu filho, mas nunca terei certeza se não tirar a prova.
-Olha, Léo, eu já vi o garoto inúmeras vezes. Ele é a sua cara, não há como negar que ele é mesmo seu filho.
Leonardo assumiu uma expressão preocupada.
-A Dani é uma garota íntegra, como acha que ela poderia te enganar quanto a paternidade do filho dela?-Aline continuou.
Léo deu um sorrisinho e mudou sua expressão preocupada para uma expressão um tanto sarcástica.
-Olha, Aline, há muitas coisas que você não sabe, tá? Se soubesse não me julgaria dessa maneira e até me daria razão para duvidar se sou mesmo o pai desse garoto.
Aline se sentiu confusa. O que ele queria dizer com tudo aquilo?
-Aline-Léo continuou- Você acha mesmo que ele é meu filho?
-Ele é a sua cara! Não há como não ser.
O rapaz ficou pensativo.
-Bem, eu só queria mesmo ouvir sua opinião. Sei que você é de confiança e não falaria todas essas coisas se realmente não achasse isso. Vou ver a Dani e o garoto e tirar minhas próprias conclusões.
- Faça o que achar que for o certo.
Ele sorriu, e respondeu:
-Farei. Obrigada por me ouvir e desculpe por ter atrapalhado seu jantar. Cheguei e quando vi que você também estava aqui não pude deixar essa conversa pra depois.
-Sem problemas, Léo.
- Tchau e bom jantar.
-Obrigada.
Aline voltou à mesa onde Rick estava. O rapaz tinha uma expressão não muito simpática no rosto.
-Tomei a liberdade de pedir um risoto pra você-disse ele sem olhar para a namorada.
-Obrigada- disse ela, percebendo a insatisfação no rosto dele.
Ele continuou calado. A garota não via motivos pra ele ficar daquele jeito, aliás, Léo a havia chamado para conversar sobre algo muito importante.
Os dois continuaram suas refeições em silêncio. Aline queria falar, mas não sabia exatamente por onde começar.
-A comida está deliciosa, não?-ela comentou, no intuito de puxar assunto.O rapaz simplesmente balançou a cabeça que sim e permaneceu calado.
A garota fitou o céu através da janela e comentou:
-Parece que o tempo está mudando. Provavelmente iremos embora embaixo de chuva.
Silêncio.
A garota continuou com seus comentários, e o namorado apenas balançava a cabeça, ou respondia com monossílabos, acabando por exterminar toda a paciência da menina.
-Já chega, Rick! Me diz logo o que está acontecendo ou o nosso jantar acaba por aqui!-ela exclamou nervosa.
Rick a olhou surpreso. Colocou o garfo e a faca no prato e olhou para a namorada.
-Eu não gosto daquele cara-ele foi direto ao assunto.
-Você está falando do Léo?
-De quem mais poderia estar falando?
-Tá. Por que você não gosta dele?
-Porque ele é falso, conquistador e não presta. Não gosto de te ver com ele. Aliás, o que ele queria?
-Falar sobre a Dani.
-A namorada que ele abandonou grávida. Olha só que tipo de amigo você tem.
-Rick, para com isso. O Léo tá arrependido. Queria minha ajuda pra esclarecer algumas coisas sobre o possível filho dele.
-Ele tem que resolver isso com a Daniela e não com você.
-Eu sei, e ele vai resolver isso com ela. Só queria tirar dúvidas comigo antes.
-Sei...-Rick murmurou-E que dúvidas eram essas?
-Queria saber se eu achava mesmo que o filho era dele, e eu respondi que o garoto é a cara dele.Ele tá preocupado com a idéia de que o menino pode mesmo ser filho dele.
-E por que não seria?
Aline relutou um pouco pra responder, mas falou.
-Ele disse que há coisas que eu não sei, e se eu soubesse daria razão pra ele duvidar da veracidade desses fatos.Bem, mas isso não diz respeito a mim e nem a você. Deixemos que eles resolvam isso sozinhos.
-Exatamente-disse Rick-Agora será que poderíamos mudar de assunto?
-Devemos.
-Então ótimo.

Fiquei um pouco decepcionada. Não sabia que Rick era tão ciumento a ponto de parecer até possessivo. Isso não é legal, pode nos trazer problemas futuramente. Mas o que posso fazer? Afinal, como diz o ditado, “não há bom sem defeitos”.